Na parte 1 eu passei pelos portões, pelo alarme e deixei o carro para trás. Agora estou dentro de casa, e é aqui dentro que a casa começou a fazer coisas que eu nunca pedi.
A guerra pelo piso aquecido e refrigerado
Tenho 14 automações só para o piso radiante. Quatorze! Esse número sozinho já diz como essa guerra está indo.
Os termostatos físicos de parede e o Home Assistant não concordam sobre quem manda. E a instalação piora tudo: o mesmo piso aquece no inverno e resfria no verão, mas o Home Assistant não consegue fazer nenhum dos dois de verdade. Quem pede é o termostato de parede, e o Home Assistant só pode deixar passar ou cortar. Ele nunca soma, só subtrai.

Então uma automação detecta quando o termostato de parede não deixa o HA chegar ao alvo que foi definido para ele, e ressincroniza as válvulas com o que eu realmente pedi. Alguém girou um botão na mão? Outra espera e, quietinha, coloca tudo de volta. O script de fallback do Shelly morre em silêncio? Tem um heartbeat de olho nisso.

A minha favorita é a mais boba de todas: no dia 1 e no dia 15 de cada mês, todas as válvulas são exercitadas, abertas e fechadas uma vez, para não travarem depois de semanas paradas fechadas. Isso é coisa de casa inteligente? Não exatamente. É uma manutenção que eu nunca, jamais, lembraria de fazer (o que é meio que a ideia toda).
O ar que eu respiro
Cinco automações em torno do CO₂. Sinceramente, eu não esperava me importar com nenhuma delas.

- A casa esvazia e para de ventilar → um aviso.
- O ar do quarto fica abafado → arejar antes de dormir.
Está vendo aquela linha passando dos 1000 ppm durante a noite? É o quarto, de porta fechada, com duas pessoas dentro.
Agora é que a trama se complica. Depois de noites o bastante, parou de só informar o número e começou a me contar como foi a noite. E quando o mesmo padrão ruim continuou se repetindo, três vezes em três dias, parou de falar de CO₂ de vez e me mandou ir verificar o filtro da ventilação.
O dashboard guarda mais um número ao lado: a menor leitura desde a meia-noite. Com a ventilação saudável, ela fica perto dos 420 ppm do ar externo. Se esse mínimo vai subindo ao longo das semanas, o fluxo de ar caiu, e você nunca veria isso no valor em tempo real, porque a movimentação das pessoas esconde.
Reportar uma métrica → diagnosticar uma causa. Eu nunca projetei essa parte. Ela apareceu depois de adicionar mais uma condição, de novo e de novo.
Os eletrodomésticos aprenderam a falar

A lava-louças me avisa quando começa, quando dá erro, e me lembra de entreabrir a porta no final para as coisas secarem de verdade. E olha a parte de baixo dessa tela: "Quanto tempo leva cada programa". Essa tabela não saiu do manual. Ela se montou sozinha observando a máquina funcionar, ciclo após ciclo.
A lava e seca informa cada mudança de fase, me avisa quando termina e (o mais importante) volta a me cobrar 30 minutos depois se eu abandonei uma leva de roupa lá dentro. Ela também pegou duas coisas que eu nunca teria percebido: o antirrugas estava rodando por um tempo absurdamente longo, e a máquina redefine, sem avisar, o idioma da interface depois de cada atualização de firmware. Valeu, firmware.
Ninguém te vende uma máquina de lavar com o argumento "ela vai lembrar das coisas para você não precisar." Mas a funcionalidade é essa.
E as coisas realmente pequenas

- Luz por presença entre 20:00 e 08:00, num brilho que não te cega às 3 da manhã.
- Armar o alarme apaga qualquer luminária que alguém deixou acesa.
- A luminária de leitura devolve o controle para a Ana em vez de brigar com ela.
- A bridge da Govee reenvia o brilho junto com a cor, porque mandar os dois separados faz a luz piscar.

A TV precisa de um turn_on explícito via Wake-on-LAN, porque só o SmartThings não consegue acordá-la. O PC avisa quando realmente desliga, em vez de me deixar adivinhando. E o Music Frame lembra a última rádio que eu estava ouvindo, então "liga o rádio" vira um toque, e não uma expedição pelos menus.
Nada disso impressiona. Mas cada uma delas eliminou um pequeno atrito diário que eu nem percebia mais que tinha.
Próximo e último capítulo: as automações chatas. Sensores de vazamento, detectores de fumaça, baterias: as que ninguém faz questão de mostrar, e as que me fizeram perceber que eu estava fazendo QA no meu próprio apartamento.
Rodando em um Home Assistant Green, focado em YAML, com um dashboard construído com Bubble Card e Mushroom. E você? Qual é a automação mais boba da qual você nunca abriria mão? Deixe um comentário, eu adoraria saber!
